O universo dos óculos vive uma fase particularmente interessante em 2026 porque tendências aparentemente opostas estão convivendo ao mesmo tempo. De um lado, armações enormes, curvas e futuristas ocupam cada vez mais espaço na moda. Do outro, modelos clássicos voltam a chamar atenção justamente por oferecerem uma estética conhecida, simples e fácil de usar. Enquanto isso, o mercado óptico brasileiro se movimenta com novos lançamentos, expansão de portfólios e coleções que já antecipam as próximas temporadas.
Nesta edição do Radar TNC&co, reunimos três movimentos que ajudam a entender o momento atual do eyewear: a consolidação dos óculos maxi e wraparound, a nova onda de interesse pelos tradicionais Wayfarers e os lançamentos apresentados ao mercado brasileiro durante a Expo Visão 2026.
1. Óculos maxi e envolventes assumem o protagonismo
Se durante alguns anos os óculos pequenos, estreitos e minimalistas dominaram parte importante da moda, 2026 está mostrando uma reação praticamente na direção oposta. Armações grandes, curvas e visualmente marcantes aparecem cada vez mais nas ruas, nos editoriais e no estilo de celebridades.
Nesta semana, a Vogue Italia destacou os óculos pretos maxi e envolventes como uma das peças mais presentes no estilo off-duty do verão europeu. A publicação citou nomes como Kendall Jenner e Dua Lipa entre as referências que vêm usando esse tipo de armação. O British GQ também colocou os grandes shields e os wraparounds entre as tendências mais relevantes do ano, mencionando exemplos como Harry Styles e Lamine Yamal.
O que está acontecendo?
O formato que está ganhando força mistura referências esportivas com linguagem de moda. São óculos que normalmente acompanham mais de perto o desenho do rosto, avançam em direção às laterais e criam uma aparência quase contínua entre lente e armação.
Algumas versões lembram equipamentos de ciclismo, corrida ou esportes de inverno. Outras são mais sofisticadas, com acabamento preto, lentes escuras e linhas mais limpas. A diferença importante é que essas peças deixaram de ser vistas somente como óculos esportivos e passaram a integrar looks urbanos, alfaiataria, streetwear e produções mais minimalistas.
Por que isso está ganhando destaque?
Existe uma busca clara por acessórios com mais presença visual. Depois de ciclos marcados por armações discretas, o óculos volta a funcionar como elemento central do look. Uma camiseta simples, uma camisa branca ou uma composição completamente preta pode ganhar outra personalidade apenas com uma armação maior e mais expressiva.
Também existe uma influência forte da estética dos anos 1990 e 2000. O detalhe interessante é que essa referência não está sendo reproduzida exatamente como no passado. O desenho aparece atualizado por materiais, proporções, acabamentos e styling contemporâneos.
O que isso significa para quem gosta de óculos?
A principal leitura não é que todo mundo precisa usar uma armação enorme. A tendência mostra que o consumidor pode começar a experimentar proporções maiores e óculos com mais personalidade.
Quem prefere algo mais discreto pode procurar modelos envolventes menores, acetatos pretos com laterais curvas ou lentes escuras com desenho um pouco mais alongado. Já quem gosta de moda mais expressiva pode explorar shields e armações realmente grandes.
O ponto mais importante continua sendo o encaixe. Quanto maior e mais curvo o óculos, mais relevante se torna observar largura da armação, apoio no nariz, posição das hastes e conforto nas laterais do rosto. Tendência funciona melhor quando o produto também funciona para quem está usando.
2. O Wayfarer volta ao radar como resposta ao excesso de tendências
Enquanto parte da moda caminha para formatos futuristas, outra corrente está fazendo exatamente o contrário: retornando aos clássicos. Nesta semana, a Vogue publicou uma análise defendendo uma nova fase de interesse pelo Wayfarer, uma das silhuetas mais reconhecíveis da história dos óculos de sol.
O modelo original surgiu nos anos 1950 e atravessou diferentes gerações ligado à música, ao cinema e à cultura pop. Ao longo das décadas, o formato apareceu associado a nomes como Marilyn Monroe, Bob Dylan, Madonna, Kate Moss, Taylor Swift e A$AP Rocky.
O que está acontecendo?
O Wayfarer representa uma família de armações com frente mais estruturada, linhas angulares e presença marcada do acetato. É um desenho imediatamente identificável, mesmo quando outras marcas reinterpretam a mesma lógica em proporções diferentes.
O interesse atual pelo formato acontece em um momento no qual o mercado oferece uma quantidade enorme de tendências simultâneas. Existem óculos minúsculos, shields gigantes, lentes coloridas, armações metálicas ultrafinas, modelos esportivos e releituras dos anos 1970, 1990 e 2000.
Nesse cenário, um formato conhecido volta a parecer novo justamente porque não precisa disputar atenção através do exagero.
Por que isso está ganhando destaque?
Moda raramente se movimenta em linha reta. Quando determinada estética cresce demais, normalmente surge um movimento complementar. O retorno do clássico acontece enquanto modelos experimentais ocupam bastante espaço no mercado.
Existe também uma questão prática. Uma boa armação preta de acetato pode funcionar com camiseta, camisa, alfaiataria, jeans, streetwear ou produções mais formais. Ela não depende tanto de uma tendência específica para continuar fazendo sentido depois de uma temporada.
O próprio British GQ destacou nesta semana que o cenário de 2026 não possui uma única tendência dominante. Formatos enormes e futuristas convivem com aviadores reinterpretados, acetatos grandes e referências clássicas.
O que isso significa para quem gosta de óculos?
Para o consumidor, essa volta dos clássicos pode ser uma boa lembrança de que comprar um óculos não precisa significar escolher a tendência mais chamativa do momento.
Uma armação quadrada ou levemente trapezoidal em preto, tartaruga ou acetato translúcido pode funcionar durante anos quando possui boas proporções para o rosto. Pequenas variações de largura, altura das lentes e espessura das hastes já mudam bastante a aparência do modelo.
A tendência também abre espaço para combinar duas estratégias dentro do próprio guarda-roupa: ter um óculos mais neutro e versátil para uso frequente e outro mais expressivo para momentos em que o acessório deve assumir protagonismo.
3. Expo Visão 2026 coloca os próximos movimentos do mercado brasileiro em evidência
O terceiro destaque da semana vem diretamente do mercado óptico brasileiro. Nos dias 24 e 25 de agosto, a Expo Visão 2026 reúne empresas, distribuidores, lojistas e profissionais do setor no Rio de Janeiro. Nos dias anteriores ao evento, diferentes empresas começaram a revelar as coleções e estratégias que levariam para a feira.
Entre os movimentos divulgados está a presença da Safilo com lançamentos da coleção Fall/Winter 2026 e produtos de diferentes marcas de seu portfólio, incluindo BOSS, Carrera, Carolina Herrera, David Beckham, HUGO, Marc Jacobs, Tommy Hilfiger e outras.
O Grupo Ribeiro também anunciou novidades de Ladimas Eyewear, VCTY Eyewear e ELLE Eyewear, com coleções de grau e solares inspiradas em tendências internacionais e referências para o Verão 2027.
O que está acontecendo?
Mais do que simplesmente apresentar novas armações, eventos desse tipo ajudam a mostrar como o mercado está organizando as próximas temporadas. Design, formatos, cores, tecnologia, posicionamento de marca e comportamento do consumidor aparecem juntos.
No caso do Grupo Ribeiro, um dos destaques é a expansão das categorias. A VCTY amplia sua atuação no solar, enquanto a Ladimas também desenvolve novas coleções de óculos de grau. A ELLE Eyewear estreia na Expo Visão com uma proposta conectada ao universo de moda da marca.
Outro elemento importante é o uso de personalidades dentro da estratégia de posicionamento. A VCTY mantém Adriane Galisteu como embaixadora, mostrando como a relação entre eyewear, moda e influência continua relevante para aproximar produto e consumidor.
Por que isso está ganhando destaque?
O mercado de óculos deixou de depender apenas da divisão tradicional entre produto de grau e produto solar. Cada vez mais, as marcas trabalham o óculos como elemento de identidade, estilo e extensão do guarda-roupa.
Quando empresas apresentam coleções inspiradas em semanas de moda internacionais ou antecipam referências do próximo verão, existe um sinal importante: o intervalo entre moda, comportamento e mercado óptico está ficando menor.
Para o varejo, isso significa acompanhar tendências com mais atenção. Para as marcas, significa desenvolver uma identidade visual suficientemente clara para não depender apenas do formato que está em alta naquele momento.
O que isso significa para quem gosta de óculos?
O consumidor tende a encontrar cada vez mais diversidade nas próximas coleções. Um mesmo ponto de venda pode oferecer modelos clássicos, solares esportivos, acetatos expressivos, armações de grau ligadas à moda e produtos desenvolvidos para diferentes estilos de vida.
Também vale observar que lançamentos apresentados em uma feira não significam necessariamente disponibilidade imediata em todas as lojas. Esses eventos funcionam como uma etapa importante da cadeia entre indústria, distribuidores e varejo.
Para quem acompanha moda, porém, eles oferecem uma pista bastante útil sobre o que deverá aparecer com maior frequência nas vitrines nos próximos meses.
O que essas tendências mostram?
Os três movimentos desta semana mostram um mercado menos interessado em uma única regra estética. O consumidor pode escolher entre o futurismo de um shield, a atitude esportiva de um wraparound, a segurança de uma armação clássica de acetato ou as novas propostas que estão chegando através das coleções apresentadas pelo setor.
Essa diversidade talvez seja uma das características mais importantes do eyewear atual. O óculos deixou de ser apenas um acessório que acompanha o restante do visual. Em muitos casos, ele é o elemento que define a direção inteira do look.
Para quem compra, a melhor estratégia continua simples: entender tendências sem se tornar refém delas. Formato, conforto, proporção, qualidade da lente e identificação pessoal precisam caminhar juntos. A moda pode indicar novas possibilidades. A escolha final precisa continuar fazendo sentido no rosto de quem vai usar.
Fontes consultadas
- Vogue Italia — “Gli occhiali da sole neri e avvolgenti sono la tendenza off-duty dell'estate 2026” — 24 de agosto de 2026
- British GQ — “The 2026 sunglasses trends that have fashion guys locked in” — 23 de agosto de 2026
- The Times — “Space goggles — the fashion set's hottest new sunnies” — publicado na semana de 18 de agosto de 2026
- Vogue — “I'm Ready for a Wayfarers Renaissance” — 18 de agosto de 2026
- Portal Opticanet — “Safilo apresenta a nova coleção FW26 na Expo Visão 2026” — 21 de agosto de 2026
- Portal Opticanet — “Grupo Ribeiro leva lançamentos de Ladimas Eyewear, VCTY Eyewear e ELLE Eyewear à Expo Visão 2026” — 20 de agosto de 2026
- Expo Visão — informações oficiais do evento de 24 e 25 de agosto de 2026
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